terça-feira, 2 de abril de 2019


"Super-reconhecedores": a versão humana dos sistemas de reconhecimento facial

Policiais com esse "talento" complementam os sistemas de reconhecimento facial usado na segurança pública de países como a Inglaterra

Kenny Long lembra que, quando a polícia metropolitana de Londres identificou pela primeira vez seu talento para identificar rostos, em 2015, ele teve uma reação instintiva e interessante ao ser chamado de algo como "super-reconhecedor". 

O talento de Long, a capacidade de colocar nomes em rostos, mesmo de pessoas que ele não vê há anos, é semelhante a um superpoder. Isso levou-o a vincular infratores a múltiplos crimes e resultou em condenações judiciais. A New Scotland Yard até recrutou o oficial para uma unidade especial, embora agora ele administre sua própria empresa para identificar e treinar "super-reconhecedores" em todo o mundo.

Você pode reconhecer seus vizinhos se vislumbrá-los em um contexto desconhecido, mas talvez não tenha as habilidades de observação para identificar uma figura encapuzada em um vídeo borrado como a mesma pessoa que estava sentada à sua frente no trem na semana passada. Um pequeno grupo de pessoas pode, no entanto, e é isso que separa os super-reconhecedores dos outros meros mortais.

A desvantagem é a escassez de indivíduos que se qualificam dessa forma. A capacidade de reconhecer um número extraordinário de rostos é uma peculiaridade cognitiva identificada pela primeira vez por pesquisadores da Universidade de Harvard e da University College London em 2009, e que afeta apenas 2% da população. Não há nada que você possa fazer para ensinar a si mesmo essa habilidade, de acordo com Josh Davis, um especialista em psicologia aplicada da Universidade de Greenwich, que estuda sujeitos com esse “talento”. Você nasce com isso ou não. 

Super-reconhecedores são, para alguns, uma esquisitice na aplicação da lei em um momento em que agências governamentais e empresas estão avançando com sistemas de reconhecimento facial. A tecnologia, que resume os aspectos do seu rosto em um código numérico, é usada em todos os lugares, como no Face ID no iPhone XS. Mas os grupos de liberdades civis estão preocupados com a invasão de privacidade e o excesso de autoridade.

Em meio a esse debate, os super-reconhecedores oferecem uma alternativa humana ou uma oportunidade para complementar a tecnologia. 

A Polícia Metropolitana de Londres emprega uma equipe especial de super-reconhecedores que vasculham imagens de crimes cometidos na capital britânica em busca de rostos familiares. Pode parecer uma maneira tediosa e arcaica de fazer as coisas, mas a precisão dessas pessoas é tal que os torna um investimento que vale a pena para a aplicação da lei.

Ao mesmo tempo, as forças policiais de muitos países estão adotando o uso de algoritmos de reconhecimento facial para identificar criminosos ou encontrar rostos específicos em uma multidão. A tecnologia promete uma identificação mais rápida e eficiente de suspeitos, comparando cenas com listas de observação de suspeitos de uma forma semelhante à comparação do DNA com um banco de dados.

Para mais informações acesse: https://olhardigital.com.br/noticia/-super-reconhecedores-a-versao-humana-dos-sistemas-de-reconhecimento-facial/84272

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